Transformadores, equipamentos isolados a SF₆ e caixas de comando têm algo em comum: a integridade desses componentes é fundamental para a confiabilidade de uma subestação.

Em uma subestação, pequenos sinais de degradação nem sempre parecem representar uma ameaça imediata: um gotejamento de óleo, um flange apresentando perda de estanqueidade, um vazamento de SF₆, uma caixa de comando com corrosão avançada, uma borracha de vedação ressecada.

Isoladamente, podem parecer apenas problemas de manutenção. Na prática, podem ser o início de uma sequência de eventos que aumenta o risco operacional, ambiental e financeiro. A pergunta que precisamos fazer é: precisamos esperar o problema se tornar uma falha para agir?

A experiência em campo mostra que, em muitos casos, a resposta é não.

Transformadores: quando um pequeno vazamento pode se transformar em um grande problema

Transformadores são equipamentos particularmente suscetíveis a vazamentos de óleo. Entre os pontos críticos estão as aletas de resfriamento, juntas, flanges e regiões próximas aos isoladores.

As aletas, por exemplo, são construídas com chapas metálicas finas para favorecer a transferência de calor. Essa característica, porém, também as torna vulneráveis à corrosão externa. Com a evolução da corrosão, podem surgir pequenos furos e, consequentemente, vazamentos de óleo.

Tradicionalmente, um reparo por soldagem pode exigir desligamento do equipamento e drenagem do óleo, aumentando o tempo de intervenção, os custos e o impacto operacional.

Uma alternativa é utilizar sistemas de reparo a frio capazes de aderir ao substrato metálico e recuperar a região afetada sem alterar significativamente a capacidade de transferência térmica das aletas.

Para o caso apresentado na foto, a especificação é a utilização do Belzona 9611, Belzona 1212 ou Belzona 1161, associado à tela de reforço Belzona 9341 ou a placas metálicas pré-moldadas, para recuperação de regiões corroídas com baixa espessura.

O ponto crítico está na adesão. Quando falamos em reparos de transformadores, não basta escolher um material resistente: é necessário que ele consiga aderir ao substrato nas condições reais encontradas em campo. Por isso, indicamos a linha de produtos Surface Tolerant, já que óleo e umidade são fatores que dificultam significativamente a adesão de muitos sistemas convencionais.

Flanges e juntas: onde o vazamento começa de forma quase imperceptível

Outro ponto recorrente são as juntas entre componentes e as faces de flanges. Com o envelhecimento, as juntas podem perder suas propriedades, tornar-se porosas e começar a apresentar vazamentos progressivos.

Como podemos ver nas figuras abaixo, uma junta entre a tampa e o corpo de um transformador de 11 kV apresentava vazamento. A solução envolveu preparação mecânica da superfície, aplicação de Belzona 1161 e utilização de Belzona 9341 como reforço mecânico.

Em situações mais severas, nas quais o óleo apresenta vazamento livre, o material técnico também prevê o uso do Belzona 9611 como solução emergencial temporária, permitindo conter o vazamento antes da execução do reparo permanente. Isso nos leva a um princípio importante de engenharia de manutenção:

Conter rapidamente é importante. Eliminar definitivamente a causa é fundamental.

SF₆: um vazamento que não podemos tratar como “apenas gás”

Em equipamentos elétricos de alta tensão, o hexafluoreto de enxofre — SF₆ — é utilizado como meio dielétrico e de isolamento. O problema é que vazamentos podem ser difíceis de identificar visualmente e, quando detectados, exigem uma resposta rápida. Além da perda do próprio gás e do impacto financeiro associado à reposição, existe uma questão ambiental relevante.

Por isso, a capacidade de realizar um reparo no local, de forma rápida e sem necessariamente retirar o equipamento de serviço, pode representar uma vantagem operacional significativa. É nesse contexto que aparece o sistema Belzona SF6-FIX, desenvolvido especificamente para redução de vazamentos de SF₆.

O sistema é aplicado a frio, não utiliza solventes e pode ser aplicado em campo, inclusive com o equipamento em operação, buscando reduzir o vazamento a níveis não detectáveis.

O conceito é simples de entender: em vez de esperar que a perda de SF₆ evolua para uma intervenção maior, cria-se uma barreira externa de proteção e estanqueidade sobre a região crítica.

O sistema também apresenta como características a rapidez de instalação, o curto tempo de cura, a possibilidade de remoção para acesso à junta e a proteção contra corrosão.

O objetivo da manutenção moderna não é simplesmente “consertar quando parar”. É preservar a disponibilidade do ativo enquanto se elimina uma condição de degradação identificada. Essa mudança de mentalidade é especialmente importante em ativos críticos de transmissão e distribuição.

Caixas de comando: corrosão também é uma ameaça à confiabilidade

Existe outro componente frequentemente esquecido quando falamos de integridade de subestações: as caixas de comando (control box). Elas não armazenam óleo ou SF₆, mas estão diretamente expostas a intempéries, umidade, contaminantes e ciclos ambientais. Quando a corrosão avança, não estamos falando apenas de estética: ela pode comprometer espessura do substrato, portas e tampas, pontos de fixação, vedação, componentes internos, organização e proteção dos cabos, e confiabilidade dos dispositivos instalados.

Um exemplo concreto está no trabalho de campo realizado em uma subestação, nas caixas de comando. Nas caixas, havia corrosão externa, corrosão interna e ocorrência de corrosão por pilha galvânica envolvendo parafusos de aço inoxidável e caixas de aço carbono.

A recuperação envolveu preparação mecânica, limpeza, recuperação das áreas deterioradas (Belzona 1161) e aplicação de revestimentos (Belzona 5831/Belzona 5111). Também foram substituídos componentes degradados, como borrachas de vedação, além da substituição ou isolamento de elementos que contribuíam para a corrosão galvânica.

O resultado não é apenas uma caixa “pintada”. É uma estratégia de recuperação da integridade do equipamento, associando proteção contra corrosão, recuperação de áreas degradadas e restauração da vedação.

Três equipamentos. Três problemas. Uma mesma filosofia de manutenção.

Quando analisamos os casos em conjunto, percebemos algo interessante.

Transformador

  • Problema: vazamento de óleo, corrosão e perda de estanqueidade.
  • Estratégia: recuperar o substrato, reforçar a região e restabelecer a vedação.

Equipamentos com SF₆

  • Problema: perda de SF₆ por flanges e regiões de vedação.
  • Estratégia: encapsular e selar a região crítica, reduzindo o vazamento e preservando a disponibilidade do ativo.

Caixas de comando

  • Problema: corrosão, deterioração de vedação e degradação dos elementos internos.
  • Estratégia: recuperar o substrato, proteger contra corrosão e restaurar as condições de vedação e organização.

São problemas diferentes. Mas a lógica de manutenção é a mesma: identificar → diagnosticar → preparar → reparar → proteger → inspecionar.

A verdadeira economia está em evitar que a falha aconteça

Quando se avalia apenas o preço do material, uma solução de reparo pode parecer mais cara ou mais barata. Essa não deveria ser a principal pergunta: a análise correta precisa considerar:

  • Quanto custa uma intervenção?
  • Quanto custa retirar um equipamento de serviço? 
  • Quanto custa drenar e tratar óleo? 
  • Quanto custa uma reposição de SF₆? 
  • Quanto custa uma parada não programada? 
  • Quanto custa substituir um componente que poderia ter sido recuperado?

E, principalmente: quanto custa esperar a pequena degradação se transformar em uma falha?

É nesse ponto que a manutenção baseada em confiabilidade ganha força.

Manutenção moderna não é apenas reparar. É preservar ativos. Tecnologias de reparo e proteção podem ser utilizadas para aumentar a vida útil de componentes, reduzir intervenções invasivas e preservar a disponibilidade operacional.

Quanto mais cedo a degradação for tratada, maior tende a ser a capacidade de recuperar o ativo sem uma intervenção de maior complexidade.

Conclusão

Uma subestação confiável não é aquela que nunca apresenta sinais de degradação. É aquela em que os sinais são identificados, avaliados e tratados antes que se transformem em falhas maiores.

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